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Testosterona baixa no homem: sintomas e quando investigar
Cansaço, queda de libido e desânimo têm muitas causas. Entenda quando a testosterona baixa merece investigação e o que é o hipogonadismo masculino.
- Autor
- Dr. Lucas Moura
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- 4 min
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Cansaço que não passa, menos disposição para o que antes dava prazer, queda no desejo sexual, dificuldade de concentração. Muitos homens chegam ao consultório com essa combinação e com uma pergunta já formada: "será minha testosterona?". A pergunta é legítima. A resposta honesta é que a testosterona baixa pode explicar parte desses sintomas em alguns homens, mas raramente é a única causa, e um único exame alterado não fecha o diagnóstico.
O que a testosterona faz no corpo do homem
A testosterona é o principal hormônio sexual masculino. Ela participa do desejo sexual e da ereção, da manutenção da massa muscular e óssea, da produção de glóbulos vermelhos, da distribuição de gordura e do humor e da energia. É produzida principalmente nos testículos, sob o comando da hipófise e do hipotálamo, duas estruturas do cérebro que regulam o ritmo dessa produção.
Com a idade, os níveis tendem a cair de forma lenta e gradual, em torno de 1% ao ano a partir dos 30 ou 40 anos. Essa queda é diferente da menopausa feminina: ela não acontece em todos os homens, não é abrupta e nem sempre causa sintomas. Por isso o termo "andropausa" não é usado nas diretrizes médicas. O nome técnico, quando há sintomas e níveis baixos confirmados, é hipogonadismo masculino, às vezes chamado de DAEM (deficiência androgênica do envelhecimento masculino).
Sintomas que levantam a suspeita
Os sinais mais específicos, que mais se associam à testosterona baixa, são os sexuais:
- diminuição do desejo sexual;
- redução das ereções espontâneas, inclusive a matinal;
- dificuldade de ereção.
Há ainda sintomas menos específicos, que aparecem em várias outras situações:
- cansaço, desânimo e queda de energia;
- perda de massa e força muscular;
- aumento de gordura corporal, sobretudo no abdômen;
- piora do humor, irritabilidade e dificuldade de concentração;
- com o tempo, perda de massa óssea.
O problema desses sintomas inespecíficos é que eles também acompanham noites mal dormidas, depressão, excesso de trabalho, uso de álcool, apneia do sono e outras doenças crônicas. Segundo a diretriz da Endocrine Society para hipogonadismo masculino, é justamente por isso que a investigação precisa ir muito além de um pedido de exame isolado.
Por que o exame sozinho não fecha o diagnóstico
A testosterona oscila ao longo do dia, com pico pela manhã, e cai temporariamente em situações comuns: uma gripe, uma noite sem dormir, jejum prolongado, uma fase de muito estresse. Um valor baixo medido à tarde, ou durante uma doença aguda, pode não refletir a sua realidade habitual.
Além disso, várias condições reduzem a testosterona sem que o problema esteja nos testículos. Obesidade, diabetes tipo 2, apneia do sono, uso prévio de anabolizantes, alguns medicamentos e o abuso de álcool são exemplos frequentes. Em muitos homens, tratar a causa de base, como perder peso ou controlar a apneia do sono, já melhora os níveis sem necessidade de repor o hormônio.
Por isso o diagnóstico de hipogonadismo exige duas coisas ao mesmo tempo: sintomas compatíveis e testosterona baixa confirmada em mais de uma dosagem. Um exame alterado, sozinho, é um sinal para investigar, não um diagnóstico.
Quando vale a pena investigar
Vale conversar com um endocrinologista quando há sintomas sexuais persistentes (queda de libido, dificuldade de ereção), sobretudo se vierem acompanhados de cansaço importante, perda de massa muscular ou alterações de humor que duram semanas e não têm explicação óbvia. Também merecem atenção homens com fatores que sabidamente derrubam a testosterona, como obesidade, diabetes, uso de corticoide por tempo prolongado ou história de uso de anabolizantes.
Na consulta, o Dr. Lucas investiga a história completa antes de pedir o hormônio: como é o sono, o peso, o uso de remédios, o padrão de bebida, o histórico sexual e o estado emocional. O exame de testosterona entra dentro desse contexto, não antes dele.
Um ponto importante, logo no começo
Testosterona não é tratamento para quem quer mais músculo, mais energia na academia ou "rejuvenescer". A reposição é indicada para homens com hipogonadismo confirmado, não para estética, ganho de massa ou desempenho. O uso com essas finalidades em quem tem testosterona normal é vedado pela Resolução CFM nº 2.333/2023 e traz riscos reais, dos quais a infertilidade é um dos mais sérios. Investigar a causa certa, com calma, é o que protege a sua saúde.
Perguntas frequentes
Andropausa existe?
A queda gradual da testosterona com a idade existe, mas não acontece em todos os homens nem causa sintomas em todos. Por não ser um evento único e previsível como a menopausa, o termo "andropausa" não é usado nas diretrizes. O nome correto, quando há sintomas e níveis baixos confirmados, é hipogonadismo.
Cansaço e falta de libido sempre são testosterona baixa?
Não. Esses sintomas têm muitas causas, do sono ruim à depressão, passando por tireoide, anemia e estresse. A testosterona baixa é uma das possibilidades, e só a investigação, não o palpite, consegue diferenciar.
Perder peso aumenta a testosterona?
Em muitos homens com obesidade, sim. A gordura em excesso reduz a testosterona, e a perda de peso, junto com o tratamento da apneia do sono quando presente, costuma elevar os níveis. Tratar a causa vem antes de pensar em repor o hormônio.
Fontes
- Bhasin S, et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2018.
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.333/2023.