Menopausa e climatério
A menopausa não é doença, mas pode trazer sintomas que atrapalham a vida e mudanças que aumentam riscos à saúde. A terapia hormonal é uma opção quando há indicação, avaliada caso a caso.

O que é
A menopausa é a data da última menstruação, quando os ovários deixam de produzir o estrogênio, o principal hormônio feminino. O diagnóstico é retrospectivo: uma mulher está na menopausa depois de 12 meses sem menstruar. No Brasil, costuma acontecer entre os 45 e os 55 anos; cerca de 70% das mulheres chegam à menopausa espontânea por volta dos 50.
Antes disso existe a perimenopausa, em que os ciclos ficam irregulares e os hormônios oscilam. O climatério é o período mais longo que engloba a perimenopausa e a pós-menopausa, com duração variável.
Sintomas
Todos decorrem da queda do estrogênio e variam muito entre as mulheres. Costumam ser divididos em três momentos:
- Iniciais: irregularidade menstrual (de menstruar duas ou três vezes no mês a ficar meses sem sangrar), ondas de calor com ou sem suor, mais intensas à noite, insônia, irritabilidade e oscilação do humor.
- Geniturinários: secura vaginal e dor na relação, queda da libido, infecções urinárias de repetição, urgência para urinar e necessidade de urinar várias vezes à noite.
- Tardios: osteoporose, eventos cardiovasculares e alterações cognitivas.
Nem toda mulher tem todos, e a intensidade varia.
O que muda na saúde a longo prazo
A queda do estrogênio acelera a perda de massa óssea, o que aumenta o risco de osteoporose e fratura. O perfil de colesterol e a sensibilidade à insulina também mudam, e o risco cardiovascular sobe nos anos seguintes. A transição menopausal se associa a ganho de peso, com predomínio na região abdominal: cerca de 44% das mulheres na pós-menopausa estão acima do peso e 23% têm obesidade, por efeito da idade, da queda do metabolismo basal, do sedentarismo e da própria transição. Por isso a consulta nessa fase olha além dos sintomas: pressão, glicose, colesterol, peso e saúde dos ossos entram na avaliação.
Como se avalia
O diagnóstico é clínico, pela história menstrual e pela idade. Dosagens hormonais ajudam em situações específicas, como menopausa antes dos 40 anos ou dúvida diagnóstica. A consulta revisa o histórico pessoal e familiar de câncer de mama, trombose, doença do fígado e doença cardiovascular, que mudam as opções de tratamento.
Terapia hormonal
A terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para as ondas de calor e para a atrofia geniturinária. Em mulheres sem útero, repõe-se apenas o estrogênio; em mulheres com útero, é necessário associar um progestagênio para proteger o endométrio. A progesterona tem ainda efeitos sobre humor, sono e metabolismo ósseo que podem ser considerados na escolha.
Há diferentes vias: oral, transdérmica (adesivo ou gel), vaginal quando o sintoma é só local, e outras, escolhidas conforme as condições clínicas e a preferência de cada mulher. A dose, a via e a duração são individualizadas e revisadas periodicamente.
Quem é candidata. As mulheres com sintomas e sem contraindicação. O posicionamento da North American Menopause Society de 2022 diz que, para mulheres com menos de 60 anos ou com menos de 10 anos de menopausa, os benefícios costumam superar os riscos quando há sintomas que justificam o tratamento. Iniciar cedo, dentro dessa janela, é o que se associa a melhor perfil de segurança cardiovascular. Fora dela, a avaliação é ainda mais individual.
Contraindicações absolutas incluem câncer de mama e de endométrio, tromboembolismo, doença ativa do fígado e sangramento uterino sem causa identificada.
Terapia hormonal, peso e câncer de mama
Dois receios afastam muitas mulheres do tratamento. O primeiro é engordar. A revisão sistemática da Cochrane, com dezenas de estudos, concluiu que não há evidência de que a terapia hormonal com estrogênio, isolado ou combinado, cause ganho de peso além do observado na menopausa; a maioria dos estudos controlados mostra até redução da gordura abdominal.
O segundo é o câncer de mama. O risco associado à terapia combinada por tempo prolongado existe e é pequeno em termos absolutos, e é discutido caso a caso. Vale saber que a própria obesidade eleva o risco de câncer de mama (risco relativo entre 1,26 e 2,52 em metanálises), e que a doença cardiovascular é a maior causa de morte da mulher na pós-menopausa. Mulheres com obesidade e outros fatores de risco, como diabetes, tabagismo, hipertensão e dislipidemia, precisam de acompanhamento mais próximo quando usam terapia hormonal.
Outras opções
Para quem não pode ou não quer usar hormônio, existem medicamentos não hormonais que reduzem as ondas de calor, além de cuidados com sono, atividade física, álcool e temperatura do ambiente. Atividade física com carga e ingestão adequada de cálcio e vitamina D ajudam a proteger os ossos.
Perguntas frequentes
Toda mulher deve fazer reposição hormonal?
Não. A arte da reposição está na individualização. Ela é para quem tem sintomas que justificam e não tem contraindicação, depois de conversar sobre riscos e benefícios.
A terapia hormonal engorda?
A evidência diz que não. A revisão da Cochrane não encontrou ganho de peso atribuível ao tratamento, e vários estudos mostram menos gordura abdominal nas usuárias.
Por quanto tempo posso usar?
Não há um limite fixo. A necessidade é reavaliada a cada ano, considerando sintomas, idade, riscos e preferência. Muitas mulheres usam por alguns anos; algumas, por mais tempo, com acompanhamento.
Menopausa antes dos 40 anos é normal?
Não. Chama-se insuficiência ovariana prematura e merece investigação e, na maioria dos casos, tratamento hormonal até a idade habitual da menopausa, para proteger ossos e coração.
Fontes
- The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society. Menopause, 2022.
- Kongnyuy EJ, Norman RJ, Flight IHK, Rees MCP. Oestrogen and progestogen hormone replacement therapy for peri-menopausal and post-menopausal women: weight and body fat distribution. Cochrane Database of Systematic Reviews.
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Posicionamentos sobre terapia hormonal na menopausa.
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Consenso sobre terapia hormonal da menopausa.
Última atualização do texto: 25/09/2026.