Hipertireoidismo
Hipertireoidismo é quando a tireoide produz hormônio em excesso, e o corpo acelera. A causa mais comum é a doença de Graves, e existem três caminhos de tratamento, escolhidos caso a caso.

O que é
Hipertireoidismo é o nome dado à situação em que os hormônios tireoidianos estão acima do normal, o que acelera o metabolismo de todo o corpo. As causas são várias:
- Doença de Graves, a mais frequente: o próprio organismo produz um anticorpo que estimula a tireoide a trabalhar sem controle. Tem predisposição familiar, é cinco vezes mais comum em mulheres e pode ser desencadeada pelo pós-parto, por eventos estressantes, tabagismo, infecções e excesso de iodo.
- Tireoidites, de origem viral, autoimune ou pós-parto: a inflamação libera o hormônio armazenado, com fase de excesso que dura semanas ou poucos meses, e depois pode vir uma fase de falta.
- Nódulos autônomos, que produzem hormônio por conta própria.
- Medicamentos, como amiodarona, lítio e interferon, e o excesso de iodo.
- Uso de hormônio tireoidiano sem indicação, por exemplo para emagrecer, que causa os mesmos sinais e riscos da doença, proporcionais à dose e ao tempo de uso.
Sintomas
Ansiedade, irritabilidade, intolerância ao calor, suor excessivo (principalmente nas mãos), tremor das mãos, insônia, perda de peso apesar de fome aumentada, coração acelerado, intestino solto e alterações menstruais. Na doença de Graves pode haver alteração nos olhos, com olhos saltados, irritação e dor ocular.
Como se investiga
- TSH, T4 livre e T3: no hipertireoidismo, o TSH fica baixo ou suprimido e os hormônios ficam altos.
- TRAb, o anticorpo contra o receptor de TSH: positivo na doença de Graves, ajuda a definir a causa e a prever a evolução.
- Ultrassonografia ou cintilografia, em alguns casos, para diferenciar Graves, nódulo autônomo e tireoidite, porque o tratamento é diferente para cada uma.
Tratamento
O tratamento é dirigido à causa.
Nas tireoidites, o tratamento é apenas dos sintomas, com betabloqueador e, às vezes, anti-inflamatório, porque o curso é benigno e se resolve em semanas ou poucos meses.
Na doença de Graves, há três opções, com prós e contras que precisam ser conversados:
- Medicamentos antitireoidianos (metimazol ou propiltiouracil), que reduzem a produção do hormônio. São a primeira escolha na maioria dos casos, por 12 a 18 meses, com chance de remissão em parte das pessoas. Exigem exames de controle e atenção a efeitos colaterais raros, como queda de glóbulos brancos e alteração do fígado.
- Iodo radioativo, que reduz a glândula de forma definitiva. Simples e eficaz, mas costuma levar ao hipotireoidismo, que então é tratado com reposição. Não é usado na gravidez nem na amamentação, e pede cuidado quando há doença ocular.
- Cirurgia, indicada em glândulas muito grandes, com nódulos suspeitos, na doença ocular grave ou quando as outras opções não servem. Também leva ao hipotireoidismo, tratado com reposição.
A escolha depende da causa, da idade, de planos de gravidez, da gravidade e da sua preferência. Raramente o tratamento medicamentoso é necessário por toda a vida.
O que acontece sem tratamento
O hipertireoidismo não tratado pode causar arritmias cardíacas graves, osteoporose, alterações oculares, hepáticas, intestinais e psiquiátricas, emagrecimento excessivo e, no extremo, a crise tireotóxica, uma emergência que exige internação. Por isso o diagnóstico precoce importa.
Perguntas frequentes
Hipertireoidismo é genético?
Não há comprovação de uma causa genética única para a doença de Graves, mas existe predisposição familiar clara: cerca de 15% das pessoas afetadas têm um familiar com a mesma doença.
O tratamento é para sempre?
Depende da causa e da opção escolhida. Os antitireoidianos são usados por um período definido, com chance de remissão. Iodo radioativo e cirurgia resolvem o excesso de forma definitiva, mas em geral levam à necessidade de reposição hormonal, que aí sim é contínua.
Posso engravidar com hipertireoidismo?
Sim, com planejamento. A doença precisa estar controlada antes, o medicamento pode ser ajustado no início da gestação, e o iodo radioativo não é usado. Veja a página sobre tireoide na gestação.
Qual a diferença entre hiper e hipotireoidismo?
Basicamente o excesso ou a falta do hormônio tireoidiano. No hipertireoidismo o corpo acelera; no hipotireoidismo, desacelera. Os dois podem ocorrer na mesma pessoa em fases diferentes, como nas tireoidites.
Fontes
- Ross DS, et al. 2016 American Thyroid Association Guidelines for Diagnosis and Management of Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis. Thyroid, 2016.
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Hipertireoidismo: informação ao paciente.
- Kahaly GJ, et al. 2018 European Thyroid Association Guideline for the Management of Graves' Hyperthyroidism. European Thyroid Journal, 2018.
Última atualização do texto: 25/09/2026.