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Dr. Lucas Tadeu Moura Endocrinologia e Clínica Médica

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Outros distúrbios endócrinos

Além da tireoide, do peso e da glicose, a endocrinologia cuida da hipófise, das adrenais e dos hormônios que regulam pelos, menstruação e função sexual. São doenças menos comuns, mas que precisam ser reconhecidas.

Médico de jaleco, visto de costas, examina um filme de ressonância contra a luz da janela em um consultório silencioso

Hipófise, o comando do sistema

A hipófise fica na base do cérebro, numa cavidade óssea chamada sela túrcica, e tem o tamanho de uma ervilha, cerca de um grama. Apesar de pequena, produz hormônios que regulam a tireoide, as adrenais, os ovários e os testículos, além do crescimento e da produção de leite. Ela trabalha em conjunto com o hipotálamo, com quem troca informação o tempo todo, regulando também sede, fome, temperatura e parte da resposta imunológica.

Doenças da hipófise incluem malformações, tumores (quase sempre benignos), inflamações e, principalmente, alterações na produção dos hormônios, para mais ou para menos. Tumores da hipófise podem causar saída de leite pelas mamas fora da amamentação (por excesso de prolactina), mudanças na face e aumento do número do sapato (por excesso de hormônio do crescimento, a acromegalia), dores de cabeça e alterações da visão, por compressão das vias ópticas. A investigação usa dosagens hormonais e ressonância magnética.

Adrenais

As glândulas adrenais, ou suprarrenais, ficam sobre os rins e produzem cortisol, aldosterona, androgênios e adrenalina. Aumento de peso, estrias avermelhadas, pelos excessivos, pressão alta ou baixa, puberdade precoce e escurecimento da pele podem indicar doença da adrenal. As mais frequentes são a insuficiência adrenal (falta de cortisol), o hiperaldosteronismo (causa tratável de hipertensão), os nódulos adrenais encontrados por acaso em exames de imagem, e o excesso de cortisol.

Síndrome de Cushing

O cortisol é um hormônio vital, que regula o metabolismo, a pressão arterial e a resposta ao estresse. O excesso de cortisol causa a síndrome de Cushing. A causa mais comum é o uso prolongado de corticoides; entre as causas endógenas, a mais frequente é a doença de Cushing, um tumor da hipófise que produz ACTH em excesso. É rara, com 1 a 2 casos novos por milhão de pessoas por ano, mais comum entre 20 e 50 anos e cerca de três vezes mais frequente em mulheres.

Sinais e sintomas, que podem ou não estar todos presentes: ganho de peso com obesidade central (abdome grande e braços e pernas finos), rosto arredondado e avermelhado, acúmulo de gordura na nuca, pele fina com hematomas fáceis, estrias largas e violáceas no abdome, seios e coxas, excesso de pelos, interrupção do ciclo menstrual, fraqueza muscular, depressão, ansiedade e irritabilidade.

Comorbidades: diabetes, hipertensão, osteoporose e fraturas, pedras nos rins, colesterol e triglicerídeos altos, infertilidade e infecções. Sem tratamento, a mortalidade é várias vezes maior do que a da população geral.

Investigação e tratamento: a triagem usa cortisol na urina de 24 horas, cortisol salivar noturno e teste de supressão com dexametasona. Confirmado o excesso, dosagens de ACTH e exames de imagem localizam a causa. O tratamento é dirigido à causa, em geral cirúrgico, e o acompanhamento com endocrinologista familiarizado com a doença é contínuo. Grupos de apoio a pacientes existem e ajudam.

Excesso de pelos

Mulheres com excesso de pelos na face e no corpo (hirsutismo), acne persistente ou aumento da musculatura podem ter produção excessiva de hormônios masculinos. A causa mais comum é a síndrome dos ovários policísticos; causas menos comuns incluem doenças da adrenal e, raramente, tumores. A investigação dosa os androgênios e procura a origem.

Alterações da menstruação

Falta de menstruação, ciclos muito longos ou menstruações mais de uma vez ao mês podem significar problemas hormonais: alterações da tireoide, excesso de prolactina, síndrome dos ovários policísticos, insuficiência ovariana prematura e outras. Elas precisam de investigação e tratamento adequados, muitas vezes em conjunto com a ginecologia.

Queda de hormônios masculinos com a idade

Os hormônios masculinos podem diminuir com o envelhecimento. Alguns homens sentem cansaço, perda de força muscular e disfunção sexual. Nem toda queda é doença, e a reposição só é indicada quando há hipogonadismo confirmado por exames repetidos e sintomas compatíveis. A página sobre testosterona explica os critérios.

Metabolismo ósseo

Osteoporose, deficiência de vitamina D e alterações do cálcio e do paratormônio também fazem parte da endocrinologia. A densitometria e os exames de sangue orientam a prevenção de fraturas, especialmente após a menopausa e em quem usa corticoides.

Perguntas frequentes

Tumor de hipófise é câncer?

Quase nunca. A grande maioria é de adenomas benignos. O problema que eles causam vem do excesso ou da falta de hormônio e da compressão de estruturas vizinhas, e muitos só precisam de acompanhamento.

Achei um nódulo na adrenal num exame de rotina. E agora?

É um achado frequente, chamado incidentaloma. A avaliação define se o nódulo produz hormônio em excesso e se tem características suspeitas na imagem. A maioria é benigna e não funcionante, e só é acompanhada.

Estrias e ganho de peso são sinal de Cushing?

Na maioria das vezes, não. A síndrome de Cushing é rara. A suspeita aumenta quando há o conjunto de sinais típicos, como estrias largas e violáceas, fraqueza muscular e hematomas fáceis, e a triagem por exames resolve a dúvida.

Prolactina alta sempre é tumor?

Não. Medicamentos, hipotireoidismo, gravidez, estresse e até a forma de coleta elevam a prolactina. Valores muito altos e persistentes pedem ressonância da hipófise.

Fontes

  • Nieman LK, et al. The diagnosis of Cushing's syndrome: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2008.
  • Fleseriu M, et al. Consensus on diagnosis and management of Cushing's disease: a guideline update. The Lancet Diabetes & Endocrinology, 2021.
  • Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Doenças da hipófise e da adrenal: informação ao paciente.
  • Melmed S, et al. Williams Textbook of Endocrinology, 14ª edição. Elsevier, 2020.

Última atualização do texto: 25/09/2026.

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