Diabetes tipo 2 e pré-diabetes
O diabetes tipo 2 costuma começar sem sintomas. Descobrir cedo, ainda na fase de pré-diabetes, é o que abre mais opções de tratamento e evita complicações.

O que é
No diabetes tipo 2, o corpo passa a responder mal à insulina, o hormônio que leva a glicose do sangue para dentro das células, e o pâncreas não consegue compensar produzindo mais. A glicose sobe no sangue e, ao longo dos anos, pode lesar vasos, nervos, rins e olhos. É o tipo mais comum, cerca de 90% dos casos, e atinge de 8% a 10% da população adulta brasileira.
O pré-diabetes é a fase anterior: a glicose já está acima do normal, mas ainda não no nível do diagnóstico de diabetes. É uma fase importante porque, nela, a progressão pode ser adiada ou evitada em muitas pessoas.
Causas e fatores de risco
Para que uma pessoa desenvolva a doença, é necessária a predisposição genética associada a fatores ambientais, com destaque para o sedentarismo e o excesso de peso, especialmente de gordura abdominal. Histórico familiar de diabetes, pressão alta, colesterol alterado, diabetes na gestação e síndrome dos ovários policísticos também aumentam o risco. A vida urbana e a redução da atividade física explicam por que a doença vem sendo diagnosticada em pessoas cada vez mais jovens.
Sinais e sintomas
Os sintomas podem ser leves e passar despercebidos por anos. Quando presentes, os mais comuns são sede exagerada, aumento do volume de urina, cansaço excessivo, dores nas pernas, perda de peso, fome acentuada e visão embaçada.
Como se diagnostica
| Exame | Pré-diabetes | Diabetes |
|---|---|---|
| Glicemia de jejum | 100 a 125 mg/dL | 126 mg/dL ou mais |
| Hemoglobina glicada (HbA1c) | 5,7% a 6,4% | 6,5% ou mais |
| Glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose | 140 a 199 mg/dL | 200 mg/dL ou mais |
Na ausência de sintomas claros, o diagnóstico de diabetes precisa ser confirmado com um segundo exame alterado. Um resultado isolado pede conversa, não conclusão.
Como é o acompanhamento
O tratamento vai além de baixar a glicose. A consulta avalia também pressão arterial, colesterol, peso, função dos rins e do fígado, e pede exame de fundo de olho e avaliação dos pés com regularidade.
As metas são individualizadas. Uma pessoa jovem, sem outras doenças, costuma ter meta de hemoglobina glicada mais rigorosa do que uma pessoa idosa, com risco maior de hipoglicemia. A meta certa é a que traz benefício sem expor você a riscos desnecessários.
Opções de tratamento
- Alimentação, atividade física e sono: a base, em qualquer fase. No pré-diabetes, o estudo Diabetes Prevention Program mostrou que a mudança de estilo de vida com perda de peso moderada reduziu em cerca de 58% a progressão para diabetes em três anos, em comparação com placebo. Uma alimentação rica em fibras, grãos integrais, legumes, verduras e frutas, com menos carnes gordas e embutidos, ajuda, mas o plano deve ser individual.
- Medicamentos: existem várias classes, orais e injetáveis, e a escolha depende do seu perfil. Algumas classes mais recentes, como os agonistas do receptor de GLP-1 e os inibidores de SGLT2, mostraram benefício também para coração e rins em pessoas com essas doenças. Cada uma tem indicação, contraindicação e efeitos colaterais que precisam ser discutidos. Muitas vezes duas ou mais são associadas.
- Insulina, quando necessária. Não é castigo nem sinal de fracasso: é um hormônio que o corpo deixou de produzir em quantidade suficiente.
Complicações e como preveni-las
As complicações ocorrem quando a glicose fica sem controle adequado por longo tempo, e a maior parte pode ser evitada ou detectada cedo.
- Retinopatia diabética: lesões nos vasos da retina, que podem levar à perda de visão. O exame de fundo de olho anual detecta alterações em fase tratável.
- Nefropatia diabética: alteração dos vasos dos rins, com perda de proteína na urina, que pode evoluir para insuficiência renal. Exames de urina e de sangue detectam cedo, e há tratamento específico.
- Neuropatia diabética: comprometimento dos nervos, com alteração de sensibilidade, dor ou formigamento, principalmente nas pernas, nos pés e nas mãos.
- Doença cardiovascular: comprometimento das artérias do coração, do cérebro e das pernas, com risco de infarto, AVC e amputação. O controle da pressão, do colesterol e do tabagismo é tão importante quanto o da glicose.
- Pé diabético: perda de sensibilidade somada à má circulação, com risco de úlceras. A avaliação regular dos pés e o cuidado diário previnem.
Perguntas frequentes
Pré-diabetes sempre vira diabetes?
Não. Manter o peso adequado, praticar atividade física regular e, em alguns casos, usar medicação sob orientação médica reduzem bastante a progressão. É a fase em que o tratamento tem mais efeito.
Hipoglicemia é perigosa?
Sim. Glicose muito baixa pode causar tremor, suor, confusão e desmaio. Quem usa insulina ou alguns medicamentos orais precisa saber reconhecer e tratar os episódios, e entender a causa com o médico para prevenir novos.
Existe dieta certa para diabetes?
A alimentação saudável, rica em fibras e com menos alimentos ultraprocessados, ajuda a maioria das pessoas, mas o plano deve ser específico para cada uma, orientado pelo médico ou pela nutricionista que acompanha o caso.
Preciso medir a glicose em casa?
Depende do tratamento. Quem usa insulina costuma precisar; para outros tratamentos, a hemoglobina glicada a cada três meses pode bastar. O médico define a frequência.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, edição vigente.
- American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes, atualização anual.
- Diabetes Prevention Program Research Group. Reduction in the incidence of type 2 diabetes with lifestyle intervention or metformin. New England Journal of Medicine, 2002.
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Diabetes mellitus tipo 2: informação ao paciente.
Última atualização do texto: 25/09/2026.