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Dr. Lucas Tadeu Moura Endocrinologia e Clínica Médica

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Colesterol e triglicerídeos

Não existe um único número de colesterol que sirva para todo mundo. A meta é definida pelo seu risco de infarto e AVC, calculado na consulta.

Casal maduro cozinha junto em casa, picando legumes e regando com azeite, em cozinha com luz do dia

O que são

Colesterol e triglicerídeos são os principais lipídios do sangue. O colesterol é parte essencial de todas as membranas celulares e matéria-prima dos hormônios esteroides. Os triglicerídeos são fonte de energia e o meio de transporte da gordura dos alimentos entre os tecidos. O corpo precisa dos dois, mas o excesso de algumas frações se deposita na parede das artérias e forma as placas de aterosclerose, que estão por trás da maior parte dos infartos e AVCs.

  • LDL, o chamado colesterol ruim: é a fração mais ligada à formação de placas e o principal alvo do tratamento.
  • HDL: participa da retirada do colesterol dos tecidos. Valor baixo aumenta o risco, mas aumentar o HDL com remédio não mostrou benefício.
  • Triglicerídeos: sobem com excesso de açúcar, álcool, obesidade e diabetes descontrolado. Valores muito altos aumentam o risco de pancreatite.
  • Não HDL: a soma de todas as frações que podem entupir as artérias. É útil especialmente quando os triglicerídeos estão altos.

Por que a meta depende do risco

Um LDL de 130 mg/dL pode ser aceitável para uma pessoa jovem, sem outros fatores de risco, e alto demais para quem já teve infarto ou tem diabetes com complicações. Por isso a consulta começa estratificando o risco cardiovascular, com base em:

  • idade e sexo;
  • pressão arterial, tabagismo e diabetes;
  • histórico pessoal de doença cardiovascular;
  • histórico familiar de infarto ou AVC em idade precoce;
  • em alguns casos, exames que mostram se já existe placa nas artérias.

A partir daí, a meta de LDL é definida conforme as diretrizes brasileiras.

Causas que precisam ser investigadas

O diagnóstico se baseia na história, no exame físico e na dosagem dos lipídios. Antes de tratar, vale saber se há outra doença elevando as gorduras do sangue. Hipotireoidismo, diabetes descontrolado, obesidade, doença renal, doenças do fígado, alguns remédios e excesso de álcool alteram o perfil lipídico e devem ser pesquisados. Colesterol muito alto desde jovem, ou em vários membros da família, levanta a suspeita de hipercolesterolemia familiar, uma condição genética que pede tratamento mais precoce e avaliação dos parentes. Alterações em crianças também acontecem e merecem investigação.

Tratamento

  • Alimentação, atividade física, peso e álcool: têm efeito maior sobre os triglicerídeos do que sobre o LDL, e reduzem o risco cardiovascular como um todo.
  • Medicamentos: as estatinas são a primeira escolha para reduzir o LDL e têm décadas de estudos mostrando redução de infarto e AVC. Quando elas não bastam ou não são toleradas, existem outras classes, como a ezetimiba e os inibidores de PCSK9. A escolha considera a meta, os efeitos colaterais e as interações com outros remédios.
  • Acompanhamento: exames de controle depois de iniciar ou ajustar o tratamento, e revisão do risco ao longo dos anos.

Com tratamento adequado, o risco de complicações cardiovasculares futuras é reduzido, embora não eliminado.

Perguntas frequentes

Colesterol alto dá sintoma?

Não. A alteração é silenciosa até que uma artéria seja comprometida. O exame de sangue é a única forma de saber, e por isso ele faz parte da avaliação de rotina do adulto.

Estatina faz mal para o fígado ou para os músculos?

Dores musculares são a queixa mais comum, e têm manejo: ajuste de dose, troca de estatina ou outra classe. Alteração relevante do fígado é rara e é monitorada por exame. Suspender o remédio por conta própria pode deixar você sem proteção.

Triglicerídeos altos: o que fazer primeiro?

Reduzir açúcar, bebidas doces e álcool, perder peso quando há excesso e controlar o diabetes são as medidas de maior efeito. Medicação entra quando os valores continuam altos ou são muito elevados.

Ovo e gordura da comida aumentam o colesterol?

O colesterol dos alimentos tem efeito pequeno no colesterol do sangue para a maioria das pessoas. Gorduras saturadas e trans têm efeito maior. O padrão alimentar como um todo importa mais do que um alimento isolado.

Fontes

  • Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, edição vigente.
  • Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Sociedade Brasileira de Diabetes e Sociedade Brasileira de Cardiologia. Posicionamentos conjuntos sobre prevenção cardiovascular no diabetes.
  • Cholesterol Treatment Trialists' Collaboration. Meta-análises de estudos com estatinas. The Lancet.

Última atualização do texto: 25/09/2026.

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